quarta-feira, 4 de março de 2009

Era uma vez...


Era uma vez uma princesa cavaleira que tinha a mania de ser guerreira. Comandou exércitos e reconquistou territórios. Libertou mulheres presas e absolveu condenados.
Teve uma vida cheia de vitórias e não lhe faltava nada, a não ser um grande amor.
Quando o descobriu, a princesa temerária montou outra vez no cavalo e foi atrás dele.
E ele assustou-se porque percebeu que ela era indomável como as forças misteriosas da natureza que fazem tremer a terra e varrem as praias.

Cansada de correr, a princesa voltou para o castelo e subiu à torre, onde ainda hoje sonha que ele a venha buscar.

NÃO SE PODE CORRER ATRÁS DOS HOMENS, percebeu ela. Assim deixou-se ficar na torre, que transformou num farol, para que ele não se perdesse no caminho quando a quisesse encontrar.
De vez em quando vejo-a a mandar sinais de fumo em forma de mensagens; mapas em forma de cartas, setas em forma de presentes. Vejo-a sossegada, mergulhada no silêncio dos seus sonhos. Vejo-a sentada naquele mesmo terraço, com o mar em frente, ou o deserto, tanto faz. E ao lado dela vejo um príncipe imperfeito, mas perfeito para ela, porque a perfeição está em tudo o que se gosta. A nossa perfeição nunca se vê no nosso espelho; vive nos olhos dos outros e no amor com que nos vêem.


MRP

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